Simple Coffin

| sábado, 15 de setembro de 2012 | 0 comentários |
Gostaria, encarecidamente, que houvesse uma cápsula do tempo para que eu pudesse não ter presenciado aquele episódio perturbador em minha vida. Até hoje sofro distúrbios emocionais em função daquele momento assustador, pra piorar eu não fui a única pessoa afetada por aquele mal mas também pessoas importantes na minha vida. Pra ser sincera, acho que fui a menos afetada por aquilo, não aguento mais tanta angústia, preciso relatar todo o ocorrido antes de fazer qualquer bobagem.
                Eramos em cinco meninas, quase todas conheci na faculdade. Todas gostavam, basicamente, do mesmo tipo de música, íamos em festas alternativas, pubs da cidade, shows de bandas que a gente gostava. Na verdade tínhamos uma vida normal como qualquer pessoa do cenário a qual frequentávamos. Sinto tanta falta das minhas amigas Maria Clara, Flávia, Luísa e Suelene, mas cada uma teve o seu destino e posso dizer que não foram os melhores destinos que qualquer pessoa gostaria de ter.
                Tudo começou em uma conversa de chat, sobre uma banda que todas gostavam, essa banda chamava Simple Coffin. Até hoje não sei definir o gênero dessa banda, aliás, hoje em dia prefiro nem citar o nome dela, pois só de relatar o que aconteceu, estou sentindo calafrios. Enfim, era uma noite de sexta-feira, do ano de 2012, as férias estavam acabando e na semana seguinte teríamos que voltar à faculdade e ao trabalho, então não estávamos com tanto ânimo para sair como eventualmente fazíamos, então criei uma conversa em grupo no chat do grupo que criamos. Todas estavam on line, então ficamos a noite toda conversando sobre os assuntos em comum.
                -Pessoal, vamos combinar de fazer alguma coisa amanhã ou domingo antes das aulas, porque depois acredito que a gente não tenha muito tempo para as nossas reuniões. – sugeri.
                -Ah, eu acho ótimo, eu topo! – disse a Flávia.
                -Bem, por mim tudo bem, mas tem que ser na sua casa, Leonora. – informou a Luísa.
                -Tá, podem vir em casa, vamos fazer amanhã então, já que os meus pais vão em um casamento, a casa estará liberada, mas o que vamos fazer? Na verdade já enjoei de fazer cup-cakes e pizza, o que sugerem?
                -Já sei! Eu tenho um dvd do Simple Coffin que comprei no sebo do centro, nunca assisti, já que todas gostam da banda, acho que é uma boa idéia a gente assistir na sua casa. – informou a Flávia com toda empolgação representada pela maneira que ela digitou a mensagem.
                -Ah, mas qual DVD do Simple Coffin você tem? Se duvidar eu tenho aqui e você não precisa nem trazer, mas ótima ideia.
                -Não sei, é um que não sei dizer qual é, não tem uma capa e o dvd só está escrito Simple Coffin com a fonte deles e mais nada, acho que é algum dvd raro.
                -Ah, traga mesmo assim, a gente vê qual é, tenho vários aqui mas esse eu desconheço, traga.
                Todas concordaram com a ideia, compraríamos algumas cervejas, coisas pra comer e ficaríamos vendo o dvd, aquela ideia me empolgou bastante, voltei a ficar animada, mesmo sabendo que na segunda-feira voltaria tudo novamente, ao menos era o que eu imaginava que iria acontecer.
                Na manha seguinte, disse aos meus pais que as meninas viriam em casa para uma reuniãozinha de despedida das férias, eles não acharam problema algum e concordaram com a visita delas. A casa já estava arrumada, mas fui ajeitando as coisas que a gente gosta de fazer, arrumei o meu quarto, testei o dvd da sala e estava tudo certo. Meus pais estavam indo pro casamento e eu fiquei esperando as meninas chegarem. Como de costume, cada uma trás alguma coisa e quando chegam, vejo o que está faltando e compro essas coisas que faltam. Finalmente elas chegaram, chequei o que eu precisava comprar e disse pra Flávia e a Maria Clara irem comigo ao mercado e, então, comprei os itens que faltavam para a nossa reunião.
                Estava ansiosa para ver o dvd, então pedi a Flávia que ela mostrasse logo, mas a maioria decidiu comer alguma coisa e beber um pouco antes de assistir.
                -O que vocês acham de escutarmos o álbum mais clichê deles enquanto a gente prepara algo pra comer e beber um pouco? Ah, eu daria tudo para que o James Coffin estivesse vivo, eu queria muito ir em algum show deles.
                -Ah Leonora, também gostaria, infelizmente eles não colocariam outro vocalista no lugar do James, a voz dele era muito peculiar, os outros membros até estão com outros projetos, mas que é uma pena, isso é verdade. – disse a Luísa.
                Simple Coffin acabou em 2001, quando o vocalista James Coffin (esse era o nome usado por ele na banda) cometeu suicídio, ninguém sabe o verdadeiro motivo por ele ter feito isso, há algumas especulações de que ele sofria de depressão e não aguentou a pressão do sucesso da banda, outras pessoas dizem que ele morreu de overdose, mas ninguém sabe, de fato, o que aconteceu com ele.
                Escutamos o No life for a nameless na íntegra, mas a curiosidade tomou conta de todas nós, então finalmente decidimos assistir o dvd estranho que a Flávia trouxe. Acredito que as meninas gostavam de assistir qualquer coisa na minha casa, pois a minha televisão é bem grande, então, dá pra ver pequenos detalhes nela. Liguei o aparelho e coloquei o dvd, a reprodução demorou um pouco, mas pensamos que isso pudesse ser normal, já que o dvd não tinha nem capa.
                O dvd não tinha introdução de empresa alguma de filmagem nem logo de gravadora, ele iniciava com as seguintes frases:
                “Idolatry is the worst mistake” – “Idolatria é o pior erro”
                “Now, is time to show who you are” – “Agora é hora de mostrar quem você é”
                “After you will choice between madness and death” – “Depois você irá escolher entre a loucura e a morte”
                “2.002”
                Quando surgiu o ano de 2.002 e esses dizeres, pensamos logo que pudesse ser um dvd em homenagem ao James, já que ele morreu em 2001, então poderia ser algum show tributo com outros vocalistas ou então algum dvd gravado antes e gravado posteriormente, mas quanto a isso não achamos nada estranho, afinal vários artistas morrem e depois as gravadoras produzem coisas deles ainda.
                Depois desses dizeres, apareceu uma cena de um quarto completamente vazio, onde só havia um caixão simples, o que pra gente era normal, pois era o símbolo da banda e o nome da banda, em todos os clipes e shows aparecia esse caixão. Não tocava música alguma, nem mesmo a mais conhecida deles do álbum que eu já citei, que por sinal tinha o mesmo nome. Peguei o controle e já fui direto pro menu, mas só aparecia o símbolo de comando não permitido.
                -Flávia, acho que você comprou um dvd com problemas, você nunca compra coisas em sebos, por que comprou esse lixo? – disse a Suelene.
                -Ah, como ia saber? Nunca tinha visto esse dvd em lugar algum pra comprar, aliás, ne sabia que ele existia… pode ser o aparelho da Leonora que deve estar co problemas.
                -Meu aparelho não está com problemas, criatura.
                Depois o caixão se abriu, e, obviamente, o James saiu dele. Ele saiu bem devagar, só que com uma máscara e veio em direção à câmera, ele ficou parado e assim começou a introdução de uma música que a gente desconhecia. Todas as músicas do Simple Coffin eram pesadas e agitadas, não tinham toques melancólicos em nenhuma delas, só que essa era bem melancólica, a introdução da música lembrava as introduções de quaisquer músicas de depressive black metal, o que era muito estranho. Quando a introdução começou, meu cachorro latia demais e logo em seguida ele foi pra longe da área em frente a sala. O som da guitarra se transformou em alguma coisa agonizante, que parecia mais um arranhão de unha em um quadro negro, a bateria parecia que estava totalmente quebrada e os pratos eram latas, dava pra escutar no fundo sons de pessoas gritando agonizadamente, ruídos e risadas.
O James permanecia parado na nossa frente, todas nós ficamos nos olhando assustadas, até que a primeira a reagir de maneira estranha foi a Suelene. A Su, como a gente costumava chamar, era uma menina de estatura baixa, cabelos compridos, usava óculos e tinha a personalidade forte, ela mesma se intitulava como a chata que não ria de quase nada, só que dessa vez ela achou o vídeo muito engraçado e teve um forte ataque de histeria.
-Hahahahahahahahahahahaha, nunca ouvi algo tão engraçado como isso, essas pessoas berrando, essas risadas. Gente, isso foi muito bom, adorei esse dvd, me empresta Flávia, ele é muito engraçado.
Suelene não conseguia falar sem rir, seu comportamento era similar de uma pessoa completamente bêbada no estado alegre, só que a risada da nossa amiga era ao mesmo tempo uma risada de desespero, de algo que ela precisava tirar do seu interior, aquilo foi muito estranho, não sabíamos o que fazer, porém pensávamos que aquilo seria a única coisa estranha que iria acontecer e depois que a Su descansasse, ela iria voltar a sanidade, mas infelizmente isso estava longe de acontecer.
Aquela imagem na TV estava perturbando a todos, certamente, então comecei a perceber que algo estranho estava acontecendo, não era normal a reação da Suelene, o que ela via de tão engraçado em tudo aquilo? Era apenas uma imagem intrigante na televisão, uma música perturbadora e o James não fazia nada mais do que ficar parado em frente a câmera. Logo em seguida, a Luísa começa a tremer e a falar em um idioma que todas nós desconhecíamos. A Luísa era a baixista da banda que eu fazia parte, quase com as mesmas características físicas da Suelene, um pouco mais alta, só que considerada a mais boazinha do nosso grupo de amigos, mas de boazinha ela não demonstrava nada naquele momento.
Seu rosto demonstrava uma revolta imensa e enquanto ela tremia, ela rangia os dentes como se todas nós fossemos culpadas por coisas ruins que pudessem ter acontecido com ela, ao mesmo tempo que todas essas coisas estranhas acontecia, ela ameaçava agredir a Maria Clara, a Flávia e eu, como se a gente tivesse culpa pelo estado da Suelene.
-Eu odeio todas vocês, tenho nojo, repulsa! Da mesma forma que odeio a minha vida…
Enquanto ela dizia essas coisas sem nexo algum, o clipe que passava na minha televisão ficava cada vez mais distorcido e o som a mesma coisa. Aquilo tava me deixando aterrorizada, portanto resolvi tirar o dvd, pois tive absoluta certeza de que aquilo estava afetando a todos, mas quando fui fazer isso, a Maria Clara e a Flávia me seguraram.
-Deixe o dvd!
Nunca vi a Flávia falando assim comigo, afinal somos melhores amigas, mas isso não foi o que mais me deixou com medo dela e sim o que eu via em seu rosto. Sempre achei a minha amiga super bonita, ela era a única ruiva do grupo, pele muito branca, da minha altura, junto a mim, a mais estranha e a mais sensata das meninas do grupo . Mas naquele momento vi que o seu rosto estava com uma fisionomia grotesca, seu sorriso parecia a de um monstro e seu olhar não demonstrava emoção alguma. Quanto a Maria Clara, que era a mais desencanada, também era muito próxima a mim, tinha a pele bem clara, longos cabelos escuros e estatura baixa, mas naquele momento estava com as características parecidas com as da Flávia. Pedi para que elas me soltassem e o meu pedido foi atendido.
Quando elas me soltaram, as duas começaram a dançar algo que parecia um ritual de uma ceita qualquer e quando começaram a dançar, senti o meu corpo totalmente estranho. Não sei como lembro de como fiquei, mas comecei a berrar e a chorar como no video, parecendo um pedido de socorro, algo me sufocava. Depois de todas serem tomadas por energias malignas, o nosso ídolo se aproxima mais um pouco da tela, dessa vez ocupando uma boa parte da tela só no seu rosto e então ele resolve tirar a máscara.
Acreditava que todas aquelas coisas estranhas que aconteceram comigo e com as minhas amigas parassem por ali, mas no exato momento em que ele tirou a máscara, todas nós olhamos fixamente para a tela e vimos a coisa mais medonha que poderíamos descrever em nossas vidas: o rosto do nosso ídolo James estava deteriorado, como normalmente ficam os cadáveres em estado de decomposição e a voz dele estava totalmente distorcida e emitia sons graves sem nenhuma frase verbal.
Logo em seguida, o filme acaba e a tela fica preta. Conseguimos nos desligar da energia maligna que nos afetava, porém, a partir daquele dia, todas nós passamos a sofrer de alguma perturbação irreversível. Tentamos procurar qualquer fonte relacionada aquele dvd, mas não achamos absolutamente nada. A pressão daquele episódio foi tão forte que deixou sequelas em todas nós. Tentei me suicidar três vezes, depois desse episódio, pois tenho pesadelos horríveis com James.  Não sei até quando vou conseguir viver com isso, não quero ter o mesmo destino que elas, nunca mais as vi.


               Imagem ilustrativa: 
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Helena

| sábado, 11 de agosto de 2012 | 0 comentários |


 Sempre fui curiosa em assuntos de ufologia, mas nunca imaginei que pudesse ter alguma experiência estranha como a que vou citar a seguir. Moro em uma cidade pequena, onde, geralmente, não há nada para fazer de final de semana. 
 Era uma quinta-feira, cheguei do trabalho muito cansada, afinal, trabalhar como jornalista não é fácil. Neste dia, tive uma rotina difícil, afinal tive que cobrir uma reportagem cansativa sobre corrupção na cidade vizinha onde trabalho. Quando cheguei em casa, fiz o que normalmente faço, escuto uma música do meu agrado, acendo um cigarro e fico vendo o inexistente movimento da minha rua, mas só o fato de ter um momento de relaxamento, seja ele qual for, já faz relaxar. Meu cachorrinho aproximou de mim e comecei a brincar com ele. 
           -Helena, o que vamos comer? – disse a minha mãe, normalmente.
            -Vamos pedir uma pizza, estou com muita fome também.
            Minha mãe pediu uma pizza e aguardamos que ela chegasse. O céu estava muito bonito, poucas nuvens e eu não queria sair daquele local, brinquei um pouco com o Tobby, meu cachorrinho, e senti que aquele pudesse ser um bom momento para parar de me preocupar com o cotidiano. Minha mãe estava assistindo sua novela predileta, eu como não gosto de novelas, aliás, prefiro manter distância da televisão quando está sintonizada no canal onde trabalho, para não pensar naquele lugar.
            Escolhi permanecer na varanda onde estava estacionada, então observei o céu novamente.
            -Fico tanto tempo naquele lugar e não tenho tempo nem de observar o céu à noite.
             Depois de um tempo, vi um objeto muito peculiar no céu, pensei imediatamente ser um avião, já que o aeroporto da cidade vizinha ficava quase na cidade onde moro então ignorei tal fato, só que aquele objeto fazia movimentos estranhos, quase que circulares e possuía luzes tão estranhas como. O Tobby latia de uma forma muito estranha, estranhei tudo aquilo, só que segundos depois o objeto sumiu.
              A pizza chegou então entrei em casa e fui comer com minha mãe, na sala de jantar, contei o que vi a ela.
              -Ah, deve ser algum helicóptero que passou por aqui, não tem com o que se preocupar.
              Chegando a hora de dormir, ignorei completamente o que vi, apaguei as luzes e cochilei. Tive um sonho muito estranho, havia dois homens de aparência muito estranha, os dois eram idênticos, muito magros, carecas, uma cor meio branca azulada, como aquele azul piscina, seus olhos eram retangulares e amarelos. No sonho não falavam nada, apenas entregaram um papel escrito “sabe onde nos encontrar”.
               No dia seguinte, fiquei muito assustada com tudo aquilo e falei o que ocorreu com a minha mãe, que disse que aquilo não passava de um sonho besta como os que eu tinha quando criança.
                Tomei o café, fui trabalhar normalmente, liguei o carro e tomei o rumo ao meu trabalho. Como todos os dias, costumo sintonizar o meu rádio na Rádio Rock Life, que é uma rádio onde só toca rock’n roll (sim, gosto muito de rock’n roll). Só que uma coisa estranha acontecia, a rádio não sintonizava e ficava um chiado estranho, pensei que a antena de transmissão estivesse com problemas, porém sintonizou em uma rádio muito estranha, onde não dava pra entender qualquer coisa se não dois comentaristas dizendo o tempo todo algumas palavras em um idioma a qual eu desconhecia.
                Aquilo me assustou um pouco, mas cheguei no trabalho. O editor disse que a gente teria que cobrir uma matéria da cidade vizinha, assim fomos cumprir nossa tarefa.  Segui com a equipe até o local e esperei até o momento em que a gente entrasse ao ar. Era um local um pouco distante do centro da cidade, havia uma mata pequena e um terreno baldio, mas nada assustador, pelo menos não enquanto havia luz do dia.
                -Helena, vamos entrar em 5 minutos, fique pronta. – disse um colega de equipe.
                -Estamos na cidade de Nogueira para relatar vários casos de desaparecimentos inusitados. Somente essa manhã, cinco pessoas sumiram misteriosamente na cidade, não encontraram qualquer pista sobre o paradeiro deles, nem mesmo testemunhas. As famílias dessas cinco pessoas estão muito preocupadas e aceitam toda ajuda na procura dos desaparecidos…
                Enquanto a reportagem era transmitida ao vivo, o câmera levantou assustado ao ver a figura de um homem, aparentemente, careca vestindo um paletó preto adentrando na pequena mata. Terminando a transmissão, Gilberto comunicou sobre o que viu.
                -Gente, eu vi um cara careca com um paletó entrando na mata, talvez ele seja o responsável pelo desaparecimento dessas pessoas, o que um homem vestindo um paletó preto faria em uma mata logo pela manhã? Muito estranho, não acham? Temos que ligar pra polícia, tenho certeza de que ele é o responsável.
                -Mas você tem certeza, Gil? Vamos dar uma olhada na filmagem!
                Olhamos a filmagem e todos nós ficamos abismados ao ver a figura citada por Gil, fiquei muito assustada, também, pois ele lembrava muito com os dois homens que sonhei. Resolvi ligar pra polícia, mas sugeri que adentrássemos à mata para investigar alguma coisa, afinal ela não era grande, portanto, não havia muita dificuldade para acha-lo. Como estávamos em cinco pessoas, decidimos que quatro entraria na mata e um ficaria naquele mesmo lugar para esperar os policiais.
                Dentro da mata nos dividimos dois grupos: eu e o Gil seguimos o caminho da direita e o Hugo e o Flávio seguiram o caminho da esquerda. Combinamos que manteríamos contato caso alguém encontrasse alguma pista ou o homem que vimos. Gil e eu caminhamos bastante, apesar da mata ser pequena, havia muita subida, muitas árvores atrapalhando o caminho.
                -Certeza que o Hugo e o Flávio conseguiram um caminho bem menos complicado. Vou sentar um pouco. Você tem alguma garrafinha de água aí?
                -Pra sua sorte eu tenho duas.
                Tomei quase a garrafa inteira de tanta sede que estava, não muito depois, recebi uma mensagem no meu celular, era o Flávio dizendo que não achou nada e achava melhor voltar onde o Fabiano estava. Só que logo em seguida recebo outra mensagem dele dizendo que viu algo estranho.
                Depois daquilo, misteriosamente perdi o sinal do meu celular, não conseguia me comunicar com ninguém então perguntei ao Gil se ele poderia emprestar o celular mas infelizmente também estava sem sinal.  Pensei que este seria o único motivo para a minha preocupação, estava enganada, nós não conseguíamos achar a saída daquela mata, então comecei a me preocupar.
                -Gil, precisamos sair daqui, o chefe ficará furioso com a gente, já estou até imaginando o Silas espumando de raiva, temos que entregar o conteúdo ainda hoje para transmiti-lo no Jornal das 19:00.
                -Calma Helena, vamos sair daqui, a mata não é grande, lembra? Espere, o que é isso?
                Observamos uma espécie de cabana, muito pequena, mas o suficiente para abrigar alguma pessoa, mas pensei, que tipo de pessoa moraria em uma mata? Será que ela faz parte de alguma reserva florestal e algum funcionário mora aí? Batemos na porta e ninguém respondeu, resolvemos bater novamente e, finalmente, escutei alguém gritando agoniadamente, parecendo um pedido de socorro, mas não consegui entender muito bem. Afastamos uns centímetros da porta e as luzes acenderam, não demorando, um homem magro, careca e de paletó sai para nos atender.
                -O que querem? Sou um ambientalista e estou muito ocupado, preciso estudar umas plantas que só podemos encontrar nas matas e outras reservas florestais dessa região, infelizmente não posso falar com vocês agora...
                Enquanto aquele homem falava, notei umas coisas que me deixaram com muito medo: primeiro o mais óbvio: por que um ambientalista vestiria um paletó formal como aquele? Segunda observação: por que ele usava óculos escuros dentro de casa e já naquele horário? Terceira observação: ele tinha um dialeto estranho, falava um português demasiadamente enrolado, parecendo que quando gesticulava, tinha uma goma de mascar na boca. Última observação: a cor da pele daquele homem era um branco meio azulado, não sei se por ser muito branco a gente conseguia ver suas veias, mas aquele tom de pele não era normal.
                Rapidamente lembrei do sonho que tive, fiquei muito pálida, mais branca do que eu já era, então dei um berro.
                -Você, foi com você que sonhei essa noite, o que você quer de mim?
                -Incrível como você mordeu a isca direitinho, Helena.
                Aquele homem tirou os óculos e seus olhos eram exatamente como os do meu sonho, retangulares e amarelos, não havia muita expressão em sua face.  De alguma forma aquele ser não transmitia qualquer energia ruim para mim, mas desconfiava de qualquer movimento estranho que ele pudesse fazer. Aquela casa na verdade era o objeto que vi na noite anterior da minha varanda.
                -Eu planejei tudo isso, nenhuma pessoa declarada para reportagem desapareceu, a denúncia e todas as outras coisas foram planejadas por mim para que você pudesse chegar até aqui. Muitos de nós podemos habitar a Terra sem que ninguém desconfie, podemos procriar, podemos amar, podemos matar. Acho que chegou a hora de você descobrir um pouco sobre você.  Mas primeiro, vou pedir que o seu amigo volte, pois esse assunto não diz respeito a ele.
                O misterioso homem levou Gil até a saída e eu o esperei. Logo depois ele voltou par terminarmos a conversa.
                - Bem Helena, primeiro eu quero que você olhe a sua mão, veja até onde vai a sua linha da vida, como vocês humanos gostam de chamar.
                Olhei para a palma da minha mão e vi muitas linhas, uma cruzada com a outra, e respondi que não sabia o final dela.
                -Muito bem, sabe porquê você não sabe onde é o fim da sua linha da vida?
                -Não, talvez eu esteja com a pele tão ressecada ao ponto de ter enrugado inclusive a minha palma da mão.
                Aquele homem ficou olhando pra mim por uns trinta segundos sem falar uma palavra se quer, até que ele mostrou a palma da mão dele, achei muito estranho que ele tinha exatamente os mesmos riscos que os meus, então ele disse:
                -Você é uma de nós, minha irmã! Nossa mãe morreu quando você era muito pequena e eu tive que deixar você com esta senhora que é a sua mãe hoje, mas essa era a hora de você descobrir quem você realmente é.





Imagem ilustrativa: (https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgURJ_5ifB6-rpXq6G8Dr3__0fnEkrrqyvLtSAamfDPhRsui-0WaYMSMSrcrEMfsUEvWHNIDbaPKuZnVC9V03WpXxy3XPtWgyoGIP-QiL8RFh6v5e4hqWLLSxhqyRQcMb99FAOYIgkxgBE/s320/amor+e+extraterrestre.jpg)

O Circo/Parque do Palhaço Chumbinho

| quinta-feira, 2 de agosto de 2012 | 0 comentários |

Em uma pacata cidade do interior de São Paulo, havia um espaço onde instalavam aqueles circos e parques que passam de cidade em cidade. Como este espaço era localizado no centro da cidade, Gabriel sempre passava de carro pela Rua das Andorinhas e notava quando havia algum entreterimento novo, porém ele não se importou muito com a chegada de um circo e um parque que estavam chegando naquele momento pois ele estava saindo de viagem com a sua família para São Paulo, iria ficar por lá por dois meses para passar as férias com os avós, portanto não viu interesse em conhece-los.  Gabriel era um menino muito novo,  tinha apenas 9 anos de idade e estudava na escolinha Domingos Arcano, localizada em frente a esse terreno baldio.

Exatos dois meses depois, Gabriel volta para a sua cidadezinha pacata e, ao mesmo tempo, voltam as suas aulas, apesar de muito chateado com o retorno escolar, animou-se ao ver que aquele circo e parque ainda estava lá:

-Nossa, esses resolveram ficar por muito tempo aqui, logo na saida da escola vou chamar os meninos para brincar lá.

No final da primeira aula, Gabriel chamou seus amigos João, Pedro e Hugo para ir ao parque/circo, na entrada viram muitas crianças de  7 até 10 anos, aproximadamente, entrando, mas nada de adultos. Na portaria havia um palhaço muito bem aparentado, suas cores eram vivas e perfeitas, nenhum palhaço era igual ao outro e tudo precia muito mágico, os brinquedos eram muito bonitos e bem coloridos, apesar de simples.

-Venham crianças, venham! – dizia o palhaço Chumbinho, o dono de tudo aquilo – Aproveitem enquanto são inocentes, pois quando enxergarem o errado, tudo desaparecerá!

Essas palavras eram repetidas constantemente da boca de Chumbinho, porém as crianças que frequentavam o local pouco se importavam com aquilo, mas quando voltavam para suas casas, repetiam essa mesma frase. 

Todo dia depois da aula Gabriel e seus amigos iam para este local, já que moravam bem próximos da escola, não precisavam de carona para voltar para casa. Chegando no final de semana, Gabriel esperava ansioso para poder ir para o circo/parque que tanto gostava de frequentar depois das aulas, então resolveu falar com seu pai:

-Pai, me leva lá hoje, preciso aproveitar que ainda estão aqui, eu adoro ir pra lá, por favor pai! – pedia desesperadamente para que seu pai o levasse.

-Tudo bem filho, se quiser, depois do almoço vamos todos até lá, chame os seus amigos.

Jorge, pai de Gabriel, era um empresário muito ocupado, sempre viajava e pouco saia com Gabriel, exceto nas viagens de final de ano para São Paulo, onde seus pais moram. Como estava, ainda, de férias do trabalho, resolveu acompanhar o filho até o local, mesmo não se interessando muito por tudo aquilo. Jorge e Gabriel buscaram João, Pedro e Hugo em suas casas para uma tarde agradável naquele lugar que as crianças tanto gostavam de ir.

-Quero ir umas dez vezes até o trem do terror! – disse Gabriel empolgado.

-Mas você morre de medo, aposto que vai amarelar como todas as outras vezes. – diziam seus amigos.

-Dessa vez não, meu papai está comigo, seus tontos.

Jorge estacionou o carro ao lado da escola dos garotos e ao chegar no local viu uma cena muito desagradável, o local estava totalmente destruído, a lona do circo estava carbonizada, os brinquedos todos quebrados e destruídos por causa do fogo, toda a aparência mágica foi destruída. Gabriel e seus amigos choravam muito e Jorge resolve leva-los para alguma sorveteria para que eles pudessem esquecer o que viram.

Chegando na sorveteria, Jorge encontra um amigo de trabalho chamado Tadeu, mesmo com toda amenização da cena aterrorizante que não previa passar para as crianças, resolveu perguntar para seu amigo sobre o incêndio.

-Tadeu, você sabe sobre o incêndio desse circo/parque naquele terreno baldio próximo à escola do Gabriel? Fui levar as crianças para brincar e não soube sobre fumaça alguma naquele lugar na noite de ontem, você poderia dizer o que aconteceu?

-Jorge, você anda bebendo rapáz? Ou será que a poluição de São Paulo afetou a sua cabeça? Realmente houve um incêndio naquele terreno, mas isso aconteceu há um mês atrás, parece que uns bandidos invadiram o local e incendiaram o local a troco de nada.

Jorge fica congelado e diz ao amigo:

-Mas o meu filho e os amigos dele frequentavam aquele lugar até ontem, isso é impossível.

-Jorge, Jorge… é melhor você parar de trabalhar tanto, veja isso…

Tadeu mostra uma edição do mês anterior do jornal da cidade onde a matéria da capa é sobre o incendio do circo/parque do Palhaço Chumbinho em frente à escola Domingos Arcano. Todos os funcionários morreram carbonizados.



Imagem meramente ilustrativa: (http://www.toskonautas.com/tosko/wp-content/uploads/2011/10/parque2.jpg).