Em uma pacata cidade do interior de São Paulo, havia um
espaço onde instalavam aqueles circos e parques que passam de cidade em cidade.
Como este espaço era localizado no centro da cidade, Gabriel sempre passava de
carro pela Rua das Andorinhas e notava quando havia algum entreterimento novo,
porém ele não se importou muito com a chegada de um circo e um parque que
estavam chegando naquele momento pois ele estava saindo de viagem com a sua
família para São Paulo, iria ficar por lá por dois meses para passar as férias
com os avós, portanto não viu interesse em conhece-los. Gabriel era um menino muito novo, tinha apenas 9 anos de idade e estudava na
escolinha Domingos Arcano, localizada em frente a esse terreno baldio.
Exatos dois meses depois, Gabriel volta para a sua
cidadezinha pacata e, ao mesmo tempo, voltam as suas aulas, apesar de muito
chateado com o retorno escolar, animou-se ao ver que aquele circo e parque
ainda estava lá:
-Nossa, esses resolveram ficar por muito tempo aqui, logo na
saida da escola vou chamar os meninos para brincar lá.
No final da primeira aula, Gabriel chamou seus amigos João,
Pedro e Hugo para ir ao parque/circo, na entrada viram muitas crianças de 7 até 10 anos, aproximadamente, entrando, mas
nada de adultos. Na portaria havia um palhaço muito bem aparentado, suas cores
eram vivas e perfeitas, nenhum palhaço era igual ao outro e tudo precia muito
mágico, os brinquedos eram muito bonitos e bem coloridos, apesar de simples.
-Venham crianças, venham! – dizia o palhaço Chumbinho, o
dono de tudo aquilo – Aproveitem enquanto são inocentes, pois quando enxergarem
o errado, tudo desaparecerá!
Essas palavras eram repetidas constantemente da boca de
Chumbinho, porém as crianças que frequentavam o local pouco se importavam com
aquilo, mas quando voltavam para suas casas, repetiam essa mesma frase.
Todo dia depois da aula Gabriel e seus amigos iam para este
local, já que moravam bem próximos da escola, não precisavam de carona para
voltar para casa. Chegando no final de semana, Gabriel esperava ansioso para
poder ir para o circo/parque que tanto gostava de frequentar depois das aulas,
então resolveu falar com seu pai:
-Pai, me leva lá hoje, preciso aproveitar que ainda estão
aqui, eu adoro ir pra lá, por favor pai! – pedia desesperadamente para que seu
pai o levasse.
-Tudo bem filho, se quiser, depois do almoço vamos todos até
lá, chame os seus amigos.
Jorge, pai de Gabriel, era um empresário muito ocupado,
sempre viajava e pouco saia com Gabriel, exceto nas viagens de final de ano
para São Paulo, onde seus pais moram. Como estava, ainda, de férias do
trabalho, resolveu acompanhar o filho até o local, mesmo não se interessando
muito por tudo aquilo. Jorge e Gabriel buscaram João, Pedro e Hugo em suas
casas para uma tarde agradável naquele lugar que as crianças tanto gostavam de
ir.
-Quero ir umas dez vezes até o trem do terror! – disse
Gabriel empolgado.
-Mas você morre de medo, aposto que vai amarelar como todas
as outras vezes. – diziam seus amigos.
-Dessa vez não, meu papai está comigo, seus tontos.
Jorge estacionou o carro ao lado da escola dos garotos e ao
chegar no local viu uma cena muito desagradável, o local estava totalmente
destruído, a lona do circo estava carbonizada, os brinquedos todos quebrados e
destruídos por causa do fogo, toda a aparência mágica foi destruída. Gabriel e
seus amigos choravam muito e Jorge resolve leva-los para alguma sorveteria para
que eles pudessem esquecer o que viram.
Chegando na sorveteria, Jorge encontra um amigo de trabalho
chamado Tadeu, mesmo com toda amenização da cena aterrorizante que não previa
passar para as crianças, resolveu perguntar para seu amigo sobre o incêndio.
-Tadeu, você sabe sobre o incêndio desse circo/parque
naquele terreno baldio próximo à escola do Gabriel? Fui levar as crianças para
brincar e não soube sobre fumaça alguma naquele lugar na noite de ontem, você
poderia dizer o que aconteceu?
-Jorge, você anda bebendo rapáz? Ou será que a poluição de
São Paulo afetou a sua cabeça? Realmente houve um incêndio naquele terreno, mas
isso aconteceu há um mês atrás, parece que uns bandidos invadiram o local e
incendiaram o local a troco de nada.
Jorge fica congelado e diz ao amigo:
-Mas o meu filho e os amigos dele frequentavam aquele lugar
até ontem, isso é impossível.
-Jorge, Jorge… é melhor você parar de trabalhar tanto, veja
isso…
Tadeu mostra uma edição do mês anterior do jornal da cidade
onde a matéria da capa é sobre o incendio do circo/parque do Palhaço Chumbinho
em frente à escola Domingos Arcano. Todos os funcionários morreram carbonizados.

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