Sempre fui curiosa em
assuntos de ufologia, mas nunca imaginei que pudesse ter alguma experiência
estranha como a que vou citar a seguir. Moro em uma cidade pequena, onde,
geralmente, não há nada para fazer de final de semana.
Era uma quinta-feira, cheguei do trabalho muito
cansada, afinal, trabalhar como jornalista não é fácil. Neste dia, tive uma
rotina difícil, afinal tive que cobrir uma reportagem cansativa sobre corrupção
na cidade vizinha onde trabalho. Quando cheguei em casa, fiz o que normalmente
faço, escuto uma música do meu agrado, acendo um cigarro e fico vendo o
inexistente movimento da minha rua, mas só o fato de ter um momento de
relaxamento, seja ele qual for, já faz relaxar. Meu cachorrinho aproximou de mim e comecei a brincar com ele.
-Helena, o que vamos comer? – disse a minha mãe,
normalmente.
-Vamos
pedir uma pizza, estou com muita fome também.
Minha mãe pediu uma pizza e aguardamos que ela chegasse. O
céu estava muito bonito, poucas nuvens e eu não queria sair daquele local,
brinquei um pouco com o Tobby, meu cachorrinho, e senti que aquele pudesse ser
um bom momento para parar de me preocupar com o cotidiano. Minha mãe estava
assistindo sua novela predileta, eu como não gosto de novelas, aliás, prefiro
manter distância da televisão quando está sintonizada no canal onde trabalho,
para não pensar naquele lugar.
Escolhi permanecer na varanda onde estava estacionada, então
observei o céu novamente.
-Fico
tanto tempo naquele lugar e não tenho tempo nem de observar o céu à noite.
Depois
de um tempo, vi um objeto muito peculiar no céu, pensei imediatamente ser um
avião, já que o aeroporto da cidade vizinha ficava quase na cidade onde moro
então ignorei tal fato, só que aquele objeto fazia movimentos estranhos, quase
que circulares e possuía luzes tão estranhas como. O Tobby latia de uma forma
muito estranha, estranhei tudo aquilo, só que segundos depois o objeto sumiu.
A pizza
chegou então entrei em casa e fui comer com minha mãe, na sala de jantar,
contei o que vi a ela.
-Ah,
deve ser algum helicóptero que passou por aqui, não tem com o que se preocupar.
Chegando
a hora de dormir, ignorei completamente o que vi, apaguei as luzes e cochilei.
Tive um sonho muito estranho, havia dois homens de aparência muito estranha, os
dois eram idênticos, muito magros, carecas, uma cor meio branca azulada, como
aquele azul piscina, seus olhos eram retangulares e amarelos. No sonho não
falavam nada, apenas entregaram um papel escrito “sabe onde nos encontrar”.
No dia seguinte, fiquei muito assustada com tudo aquilo e
falei o que ocorreu com a minha mãe, que disse que aquilo não passava de um
sonho besta como os que eu tinha quando criança.
Tomei o
café, fui trabalhar normalmente, liguei o carro e tomei o rumo ao meu trabalho.
Como todos os dias, costumo sintonizar o meu rádio na Rádio Rock Life, que é
uma rádio onde só toca rock’n roll (sim, gosto muito de rock’n roll). Só que
uma coisa estranha acontecia, a rádio não sintonizava e ficava um chiado
estranho, pensei que a antena de transmissão estivesse com problemas, porém
sintonizou em uma rádio muito estranha, onde não dava pra entender qualquer
coisa se não dois comentaristas dizendo o tempo todo algumas palavras em um
idioma a qual eu desconhecia.
Aquilo
me assustou um pouco, mas cheguei no trabalho. O editor disse que a gente teria
que cobrir uma matéria da cidade vizinha, assim fomos cumprir nossa tarefa. Segui com a equipe até o local e esperei até o
momento em que a gente entrasse ao ar. Era um local um pouco distante do centro
da cidade, havia uma mata pequena e um terreno baldio, mas nada assustador,
pelo menos não enquanto havia luz do dia.
-Helena,
vamos entrar em 5 minutos, fique pronta. – disse um colega de equipe.
-Estamos
na cidade de Nogueira para relatar vários casos de desaparecimentos inusitados.
Somente essa manhã, cinco pessoas sumiram misteriosamente na cidade, não
encontraram qualquer pista sobre o paradeiro deles, nem mesmo testemunhas. As famílias
dessas cinco pessoas estão muito preocupadas e aceitam toda ajuda na procura
dos desaparecidos…
Enquanto
a reportagem era transmitida ao vivo, o câmera levantou assustado ao ver a
figura de um homem, aparentemente, careca vestindo um paletó preto adentrando
na pequena mata. Terminando a transmissão, Gilberto comunicou sobre o que viu.
-Gente,
eu vi um cara careca com um paletó entrando na mata, talvez ele seja o
responsável pelo desaparecimento dessas pessoas, o que um homem vestindo um
paletó preto faria em uma mata logo pela manhã? Muito estranho, não acham?
Temos que ligar pra polícia, tenho certeza de que ele é o responsável.
-Mas
você tem certeza, Gil? Vamos dar uma olhada na filmagem!
Olhamos
a filmagem e todos nós ficamos abismados ao ver a figura citada por Gil, fiquei
muito assustada, também, pois ele lembrava muito com os dois homens que sonhei.
Resolvi ligar pra polícia, mas sugeri que adentrássemos à mata para investigar
alguma coisa, afinal ela não era grande, portanto, não havia muita dificuldade
para acha-lo. Como estávamos em cinco pessoas, decidimos que quatro entraria na
mata e um ficaria naquele mesmo lugar para esperar os policiais.
Dentro
da mata nos dividimos dois grupos: eu e o Gil
seguimos o caminho da direita e o Hugo e o Flávio seguiram o caminho da
esquerda. Combinamos que manteríamos contato caso alguém encontrasse alguma pista
ou o homem que vimos. Gil e eu caminhamos bastante, apesar da mata ser pequena,
havia muita subida, muitas árvores atrapalhando o caminho.
-Certeza
que o Hugo e o Flávio conseguiram um caminho bem menos complicado. Vou sentar
um pouco. Você tem alguma garrafinha de água aí?
-Pra
sua sorte eu tenho duas.
Tomei
quase a garrafa inteira de tanta sede que estava, não muito depois, recebi uma
mensagem no meu celular, era o Flávio dizendo que não achou nada e achava
melhor voltar onde o Fabiano estava. Só que logo em seguida recebo outra
mensagem dele dizendo que viu algo estranho.
Depois
daquilo, misteriosamente perdi o sinal do meu celular, não conseguia me
comunicar com ninguém então perguntei ao Gil se ele poderia emprestar o celular
mas infelizmente também estava sem sinal. Pensei que este seria o único motivo para a
minha preocupação, estava enganada, nós não conseguíamos achar a saída daquela
mata, então comecei a me preocupar.
-Gil,
precisamos sair daqui, o chefe ficará furioso com a gente, já estou até
imaginando o Silas espumando de raiva, temos que entregar o conteúdo ainda hoje
para transmiti-lo no Jornal das 19:00.
-Calma
Helena, vamos sair daqui, a mata não é grande, lembra? Espere, o que é isso?
Observamos
uma espécie de cabana, muito pequena, mas o suficiente para abrigar alguma
pessoa, mas pensei, que tipo de pessoa moraria em uma mata?
Será que ela faz parte de alguma reserva florestal e algum funcionário mora aí?
Batemos na porta e ninguém respondeu, resolvemos bater novamente e, finalmente,
escutei alguém gritando agoniadamente, parecendo um pedido de socorro, mas não
consegui entender muito bem. Afastamos uns centímetros da porta e as luzes
acenderam, não demorando, um homem magro, careca e de paletó sai para nos
atender.
-O que
querem? Sou um ambientalista e estou muito ocupado, preciso estudar umas
plantas que só podemos encontrar nas matas e outras reservas florestais dessa
região, infelizmente não posso falar com vocês agora...
Enquanto
aquele homem falava, notei umas coisas que me deixaram com muito medo: primeiro
o mais óbvio: por que um ambientalista vestiria um paletó formal como aquele? Segunda
observação: por que ele usava óculos escuros dentro de casa e já naquele
horário? Terceira observação: ele tinha um dialeto estranho, falava um
português demasiadamente enrolado, parecendo que quando gesticulava, tinha uma
goma de mascar na boca. Última observação: a cor da pele daquele homem era um
branco meio azulado, não sei se por ser muito branco a gente conseguia ver suas
veias, mas aquele tom de pele não era normal.
Rapidamente
lembrei do sonho que tive, fiquei muito pálida, mais branca do que eu já era, então
dei um berro.
-Você,
foi com você que sonhei essa noite, o que você quer de mim?
-Incrível
como você mordeu a isca direitinho, Helena.
Aquele
homem tirou os óculos e seus olhos eram exatamente como os do meu sonho,
retangulares e amarelos, não havia muita expressão em sua face. De alguma forma aquele ser não transmitia
qualquer energia ruim para mim, mas desconfiava de qualquer movimento estranho
que ele pudesse fazer. Aquela casa na verdade era o objeto que vi na noite
anterior da minha varanda.
-Eu
planejei tudo isso, nenhuma pessoa declarada para reportagem desapareceu, a
denúncia e todas as outras coisas foram planejadas por mim para que você
pudesse chegar até aqui. Muitos de nós podemos habitar a Terra sem que ninguém
desconfie, podemos procriar, podemos amar, podemos matar. Acho que chegou a
hora de você descobrir um pouco sobre você. Mas primeiro, vou pedir que o seu amigo volte,
pois esse assunto não diz respeito a ele.
O
misterioso homem levou Gil até a saída e eu o esperei. Logo depois ele voltou
par terminarmos a conversa.
- Bem
Helena, primeiro eu quero que você olhe a sua mão, veja até onde vai a sua
linha da vida, como vocês humanos gostam de chamar.
Olhei
para a palma da minha mão e vi muitas linhas, uma cruzada com a outra, e
respondi que não sabia o final dela.
-Muito
bem, sabe porquê você não sabe onde é o fim da sua linha da vida?
-Não,
talvez eu esteja com a pele tão ressecada ao ponto de ter enrugado inclusive a
minha palma da mão.
Aquele
homem ficou olhando pra mim por uns trinta segundos sem falar uma palavra se
quer, até que ele mostrou a palma da mão dele, achei muito estranho que ele
tinha exatamente os mesmos riscos que os meus, então ele disse:
-Você é
uma de nós, minha irmã! Nossa mãe morreu quando você era muito pequena e eu
tive que deixar você com esta senhora que é a sua mãe hoje, mas essa era a hora
de você descobrir quem você realmente é.
Imagem ilustrativa: (https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgURJ_5ifB6-rpXq6G8Dr3__0fnEkrrqyvLtSAamfDPhRsui-0WaYMSMSrcrEMfsUEvWHNIDbaPKuZnVC9V03WpXxy3XPtWgyoGIP-QiL8RFh6v5e4hqWLLSxhqyRQcMb99FAOYIgkxgBE/s320/amor+e+extraterrestre.jpg)

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