Helena

| sábado, 11 de agosto de 2012 | 0 comentários |


 Sempre fui curiosa em assuntos de ufologia, mas nunca imaginei que pudesse ter alguma experiência estranha como a que vou citar a seguir. Moro em uma cidade pequena, onde, geralmente, não há nada para fazer de final de semana. 
 Era uma quinta-feira, cheguei do trabalho muito cansada, afinal, trabalhar como jornalista não é fácil. Neste dia, tive uma rotina difícil, afinal tive que cobrir uma reportagem cansativa sobre corrupção na cidade vizinha onde trabalho. Quando cheguei em casa, fiz o que normalmente faço, escuto uma música do meu agrado, acendo um cigarro e fico vendo o inexistente movimento da minha rua, mas só o fato de ter um momento de relaxamento, seja ele qual for, já faz relaxar. Meu cachorrinho aproximou de mim e comecei a brincar com ele. 
           -Helena, o que vamos comer? – disse a minha mãe, normalmente.
            -Vamos pedir uma pizza, estou com muita fome também.
            Minha mãe pediu uma pizza e aguardamos que ela chegasse. O céu estava muito bonito, poucas nuvens e eu não queria sair daquele local, brinquei um pouco com o Tobby, meu cachorrinho, e senti que aquele pudesse ser um bom momento para parar de me preocupar com o cotidiano. Minha mãe estava assistindo sua novela predileta, eu como não gosto de novelas, aliás, prefiro manter distância da televisão quando está sintonizada no canal onde trabalho, para não pensar naquele lugar.
            Escolhi permanecer na varanda onde estava estacionada, então observei o céu novamente.
            -Fico tanto tempo naquele lugar e não tenho tempo nem de observar o céu à noite.
             Depois de um tempo, vi um objeto muito peculiar no céu, pensei imediatamente ser um avião, já que o aeroporto da cidade vizinha ficava quase na cidade onde moro então ignorei tal fato, só que aquele objeto fazia movimentos estranhos, quase que circulares e possuía luzes tão estranhas como. O Tobby latia de uma forma muito estranha, estranhei tudo aquilo, só que segundos depois o objeto sumiu.
              A pizza chegou então entrei em casa e fui comer com minha mãe, na sala de jantar, contei o que vi a ela.
              -Ah, deve ser algum helicóptero que passou por aqui, não tem com o que se preocupar.
              Chegando a hora de dormir, ignorei completamente o que vi, apaguei as luzes e cochilei. Tive um sonho muito estranho, havia dois homens de aparência muito estranha, os dois eram idênticos, muito magros, carecas, uma cor meio branca azulada, como aquele azul piscina, seus olhos eram retangulares e amarelos. No sonho não falavam nada, apenas entregaram um papel escrito “sabe onde nos encontrar”.
               No dia seguinte, fiquei muito assustada com tudo aquilo e falei o que ocorreu com a minha mãe, que disse que aquilo não passava de um sonho besta como os que eu tinha quando criança.
                Tomei o café, fui trabalhar normalmente, liguei o carro e tomei o rumo ao meu trabalho. Como todos os dias, costumo sintonizar o meu rádio na Rádio Rock Life, que é uma rádio onde só toca rock’n roll (sim, gosto muito de rock’n roll). Só que uma coisa estranha acontecia, a rádio não sintonizava e ficava um chiado estranho, pensei que a antena de transmissão estivesse com problemas, porém sintonizou em uma rádio muito estranha, onde não dava pra entender qualquer coisa se não dois comentaristas dizendo o tempo todo algumas palavras em um idioma a qual eu desconhecia.
                Aquilo me assustou um pouco, mas cheguei no trabalho. O editor disse que a gente teria que cobrir uma matéria da cidade vizinha, assim fomos cumprir nossa tarefa.  Segui com a equipe até o local e esperei até o momento em que a gente entrasse ao ar. Era um local um pouco distante do centro da cidade, havia uma mata pequena e um terreno baldio, mas nada assustador, pelo menos não enquanto havia luz do dia.
                -Helena, vamos entrar em 5 minutos, fique pronta. – disse um colega de equipe.
                -Estamos na cidade de Nogueira para relatar vários casos de desaparecimentos inusitados. Somente essa manhã, cinco pessoas sumiram misteriosamente na cidade, não encontraram qualquer pista sobre o paradeiro deles, nem mesmo testemunhas. As famílias dessas cinco pessoas estão muito preocupadas e aceitam toda ajuda na procura dos desaparecidos…
                Enquanto a reportagem era transmitida ao vivo, o câmera levantou assustado ao ver a figura de um homem, aparentemente, careca vestindo um paletó preto adentrando na pequena mata. Terminando a transmissão, Gilberto comunicou sobre o que viu.
                -Gente, eu vi um cara careca com um paletó entrando na mata, talvez ele seja o responsável pelo desaparecimento dessas pessoas, o que um homem vestindo um paletó preto faria em uma mata logo pela manhã? Muito estranho, não acham? Temos que ligar pra polícia, tenho certeza de que ele é o responsável.
                -Mas você tem certeza, Gil? Vamos dar uma olhada na filmagem!
                Olhamos a filmagem e todos nós ficamos abismados ao ver a figura citada por Gil, fiquei muito assustada, também, pois ele lembrava muito com os dois homens que sonhei. Resolvi ligar pra polícia, mas sugeri que adentrássemos à mata para investigar alguma coisa, afinal ela não era grande, portanto, não havia muita dificuldade para acha-lo. Como estávamos em cinco pessoas, decidimos que quatro entraria na mata e um ficaria naquele mesmo lugar para esperar os policiais.
                Dentro da mata nos dividimos dois grupos: eu e o Gil seguimos o caminho da direita e o Hugo e o Flávio seguiram o caminho da esquerda. Combinamos que manteríamos contato caso alguém encontrasse alguma pista ou o homem que vimos. Gil e eu caminhamos bastante, apesar da mata ser pequena, havia muita subida, muitas árvores atrapalhando o caminho.
                -Certeza que o Hugo e o Flávio conseguiram um caminho bem menos complicado. Vou sentar um pouco. Você tem alguma garrafinha de água aí?
                -Pra sua sorte eu tenho duas.
                Tomei quase a garrafa inteira de tanta sede que estava, não muito depois, recebi uma mensagem no meu celular, era o Flávio dizendo que não achou nada e achava melhor voltar onde o Fabiano estava. Só que logo em seguida recebo outra mensagem dele dizendo que viu algo estranho.
                Depois daquilo, misteriosamente perdi o sinal do meu celular, não conseguia me comunicar com ninguém então perguntei ao Gil se ele poderia emprestar o celular mas infelizmente também estava sem sinal.  Pensei que este seria o único motivo para a minha preocupação, estava enganada, nós não conseguíamos achar a saída daquela mata, então comecei a me preocupar.
                -Gil, precisamos sair daqui, o chefe ficará furioso com a gente, já estou até imaginando o Silas espumando de raiva, temos que entregar o conteúdo ainda hoje para transmiti-lo no Jornal das 19:00.
                -Calma Helena, vamos sair daqui, a mata não é grande, lembra? Espere, o que é isso?
                Observamos uma espécie de cabana, muito pequena, mas o suficiente para abrigar alguma pessoa, mas pensei, que tipo de pessoa moraria em uma mata? Será que ela faz parte de alguma reserva florestal e algum funcionário mora aí? Batemos na porta e ninguém respondeu, resolvemos bater novamente e, finalmente, escutei alguém gritando agoniadamente, parecendo um pedido de socorro, mas não consegui entender muito bem. Afastamos uns centímetros da porta e as luzes acenderam, não demorando, um homem magro, careca e de paletó sai para nos atender.
                -O que querem? Sou um ambientalista e estou muito ocupado, preciso estudar umas plantas que só podemos encontrar nas matas e outras reservas florestais dessa região, infelizmente não posso falar com vocês agora...
                Enquanto aquele homem falava, notei umas coisas que me deixaram com muito medo: primeiro o mais óbvio: por que um ambientalista vestiria um paletó formal como aquele? Segunda observação: por que ele usava óculos escuros dentro de casa e já naquele horário? Terceira observação: ele tinha um dialeto estranho, falava um português demasiadamente enrolado, parecendo que quando gesticulava, tinha uma goma de mascar na boca. Última observação: a cor da pele daquele homem era um branco meio azulado, não sei se por ser muito branco a gente conseguia ver suas veias, mas aquele tom de pele não era normal.
                Rapidamente lembrei do sonho que tive, fiquei muito pálida, mais branca do que eu já era, então dei um berro.
                -Você, foi com você que sonhei essa noite, o que você quer de mim?
                -Incrível como você mordeu a isca direitinho, Helena.
                Aquele homem tirou os óculos e seus olhos eram exatamente como os do meu sonho, retangulares e amarelos, não havia muita expressão em sua face.  De alguma forma aquele ser não transmitia qualquer energia ruim para mim, mas desconfiava de qualquer movimento estranho que ele pudesse fazer. Aquela casa na verdade era o objeto que vi na noite anterior da minha varanda.
                -Eu planejei tudo isso, nenhuma pessoa declarada para reportagem desapareceu, a denúncia e todas as outras coisas foram planejadas por mim para que você pudesse chegar até aqui. Muitos de nós podemos habitar a Terra sem que ninguém desconfie, podemos procriar, podemos amar, podemos matar. Acho que chegou a hora de você descobrir um pouco sobre você.  Mas primeiro, vou pedir que o seu amigo volte, pois esse assunto não diz respeito a ele.
                O misterioso homem levou Gil até a saída e eu o esperei. Logo depois ele voltou par terminarmos a conversa.
                - Bem Helena, primeiro eu quero que você olhe a sua mão, veja até onde vai a sua linha da vida, como vocês humanos gostam de chamar.
                Olhei para a palma da minha mão e vi muitas linhas, uma cruzada com a outra, e respondi que não sabia o final dela.
                -Muito bem, sabe porquê você não sabe onde é o fim da sua linha da vida?
                -Não, talvez eu esteja com a pele tão ressecada ao ponto de ter enrugado inclusive a minha palma da mão.
                Aquele homem ficou olhando pra mim por uns trinta segundos sem falar uma palavra se quer, até que ele mostrou a palma da mão dele, achei muito estranho que ele tinha exatamente os mesmos riscos que os meus, então ele disse:
                -Você é uma de nós, minha irmã! Nossa mãe morreu quando você era muito pequena e eu tive que deixar você com esta senhora que é a sua mãe hoje, mas essa era a hora de você descobrir quem você realmente é.





Imagem ilustrativa: (https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgURJ_5ifB6-rpXq6G8Dr3__0fnEkrrqyvLtSAamfDPhRsui-0WaYMSMSrcrEMfsUEvWHNIDbaPKuZnVC9V03WpXxy3XPtWgyoGIP-QiL8RFh6v5e4hqWLLSxhqyRQcMb99FAOYIgkxgBE/s320/amor+e+extraterrestre.jpg)

O Circo/Parque do Palhaço Chumbinho

| quinta-feira, 2 de agosto de 2012 | 0 comentários |

Em uma pacata cidade do interior de São Paulo, havia um espaço onde instalavam aqueles circos e parques que passam de cidade em cidade. Como este espaço era localizado no centro da cidade, Gabriel sempre passava de carro pela Rua das Andorinhas e notava quando havia algum entreterimento novo, porém ele não se importou muito com a chegada de um circo e um parque que estavam chegando naquele momento pois ele estava saindo de viagem com a sua família para São Paulo, iria ficar por lá por dois meses para passar as férias com os avós, portanto não viu interesse em conhece-los.  Gabriel era um menino muito novo,  tinha apenas 9 anos de idade e estudava na escolinha Domingos Arcano, localizada em frente a esse terreno baldio.

Exatos dois meses depois, Gabriel volta para a sua cidadezinha pacata e, ao mesmo tempo, voltam as suas aulas, apesar de muito chateado com o retorno escolar, animou-se ao ver que aquele circo e parque ainda estava lá:

-Nossa, esses resolveram ficar por muito tempo aqui, logo na saida da escola vou chamar os meninos para brincar lá.

No final da primeira aula, Gabriel chamou seus amigos João, Pedro e Hugo para ir ao parque/circo, na entrada viram muitas crianças de  7 até 10 anos, aproximadamente, entrando, mas nada de adultos. Na portaria havia um palhaço muito bem aparentado, suas cores eram vivas e perfeitas, nenhum palhaço era igual ao outro e tudo precia muito mágico, os brinquedos eram muito bonitos e bem coloridos, apesar de simples.

-Venham crianças, venham! – dizia o palhaço Chumbinho, o dono de tudo aquilo – Aproveitem enquanto são inocentes, pois quando enxergarem o errado, tudo desaparecerá!

Essas palavras eram repetidas constantemente da boca de Chumbinho, porém as crianças que frequentavam o local pouco se importavam com aquilo, mas quando voltavam para suas casas, repetiam essa mesma frase. 

Todo dia depois da aula Gabriel e seus amigos iam para este local, já que moravam bem próximos da escola, não precisavam de carona para voltar para casa. Chegando no final de semana, Gabriel esperava ansioso para poder ir para o circo/parque que tanto gostava de frequentar depois das aulas, então resolveu falar com seu pai:

-Pai, me leva lá hoje, preciso aproveitar que ainda estão aqui, eu adoro ir pra lá, por favor pai! – pedia desesperadamente para que seu pai o levasse.

-Tudo bem filho, se quiser, depois do almoço vamos todos até lá, chame os seus amigos.

Jorge, pai de Gabriel, era um empresário muito ocupado, sempre viajava e pouco saia com Gabriel, exceto nas viagens de final de ano para São Paulo, onde seus pais moram. Como estava, ainda, de férias do trabalho, resolveu acompanhar o filho até o local, mesmo não se interessando muito por tudo aquilo. Jorge e Gabriel buscaram João, Pedro e Hugo em suas casas para uma tarde agradável naquele lugar que as crianças tanto gostavam de ir.

-Quero ir umas dez vezes até o trem do terror! – disse Gabriel empolgado.

-Mas você morre de medo, aposto que vai amarelar como todas as outras vezes. – diziam seus amigos.

-Dessa vez não, meu papai está comigo, seus tontos.

Jorge estacionou o carro ao lado da escola dos garotos e ao chegar no local viu uma cena muito desagradável, o local estava totalmente destruído, a lona do circo estava carbonizada, os brinquedos todos quebrados e destruídos por causa do fogo, toda a aparência mágica foi destruída. Gabriel e seus amigos choravam muito e Jorge resolve leva-los para alguma sorveteria para que eles pudessem esquecer o que viram.

Chegando na sorveteria, Jorge encontra um amigo de trabalho chamado Tadeu, mesmo com toda amenização da cena aterrorizante que não previa passar para as crianças, resolveu perguntar para seu amigo sobre o incêndio.

-Tadeu, você sabe sobre o incêndio desse circo/parque naquele terreno baldio próximo à escola do Gabriel? Fui levar as crianças para brincar e não soube sobre fumaça alguma naquele lugar na noite de ontem, você poderia dizer o que aconteceu?

-Jorge, você anda bebendo rapáz? Ou será que a poluição de São Paulo afetou a sua cabeça? Realmente houve um incêndio naquele terreno, mas isso aconteceu há um mês atrás, parece que uns bandidos invadiram o local e incendiaram o local a troco de nada.

Jorge fica congelado e diz ao amigo:

-Mas o meu filho e os amigos dele frequentavam aquele lugar até ontem, isso é impossível.

-Jorge, Jorge… é melhor você parar de trabalhar tanto, veja isso…

Tadeu mostra uma edição do mês anterior do jornal da cidade onde a matéria da capa é sobre o incendio do circo/parque do Palhaço Chumbinho em frente à escola Domingos Arcano. Todos os funcionários morreram carbonizados.



Imagem meramente ilustrativa: (http://www.toskonautas.com/tosko/wp-content/uploads/2011/10/parque2.jpg).